segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Origem Cristã das Universidades

Alvin J. Schmidt

Centenas de anos antes de Cristo, os Gregos antigos possuíam seus filósofos (Tales de Mileto, Xenófanes, Parmênides, Zenão de Eléia, Pitágoras, Demócrito, Sócrates, Platão, e Aristóteles) e seus poetas (Eurípides, Ésquilo, Aristófanes, e Sófocles.) E em um nível menor, os Romanos também possuíam seus pensadores brilhantes (Sêneca, Cícero, Plauto, Caio Plínio Segundo, Lucrécio, Tácito, entre outros). Todos eram homens eruditos que operavam no campo do que é atualmente chamado de ensino superior. Dada esta orientação literária, alguns historiadores têm se referido aos Gregos e Romanos como tendo as primeiras "universidades." Mas como Charles Haskins tem apontado, estes homens brilhantes não desenvolveram qualquer instituição permanente. Eles não tinham bibliotecas, não possuíam qualquer tipo de associação de eruditos ou estudantes, e não certificavam ninguém. [1] Ainda mais importante, pode ser argumentado, eles não testavam qualquer teoria e não se comprometiam com qualquer pesquisa; de fato, eles ignoravam e até mesmo desdenhavam do método indutivo. Portanto, não parece correto assumir, como às vezes é feito, que a universidade do século doze é um descendente linear dos antigos filósofos Gregos. [2] A melhor evidência indica que as universidades cresceram a partir dos monastérios Cristãos. 

Monastérios como Universidades Embrionárias

Concernente aos Seus discípulos, Cristo orou a Deus, "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno." (João 17:15) Ele não queria que Seus discípulos recuassem do mundo da mesma maneira que alguns como Santo Antônio, que viveu como eremita por motivações religiosas, começaram a fazer no século três. Cristo queria que os discípulos estivessem no mundo mas não fossem do mundo. Portanto, a fundação de monastérios em um sentido era inconsistente com Sua vontade. Mas devido à sempre presente tensão que existe entre os Cristãos e o mundo, alguns Cristãos, como os monges e freiras, se separavam fisicamente do mundo. Não obstante, Deus frequentemente faz com que coisas boas floresçam de esforços humanos um tanto falhos. Isto foi verdade em relação aos monastérios medievais, pois em muitas instâncias eles se tornaram a semente das universidades modernas. 

Com relação à origem primitiva das universidades, a história nos aponta para Bento de Núrsia (480-543?), o fundador do primeiro monastério da Ordem de São Bento em Monte Cassino, na Itália, em 528, e que logo construiu monastérios em muitas outras localidades. Todos os monastérios de São Bento atribuíam grande valor aos tesouros literários da antiguidade e do Cristianismo. Daniel Boorstin diz que São Bento tem sido chamado de "o padrinho das bibliotecas." [3] A Ordem de São Bento originou um elaborado sistema em seus muitos monastérios; eles coletavam livros, copiavam manuscritos na scriptoria, emprestavam livros à outros monastérios, e exigiam que os monges lessem livros diariamente. As posses da biblioteca da Ordem incluíam as Sagradas Escrituras, escritos dos pais da Igreja, e comentários bíblicos bem como livros seculares de escritores Gregos e Romanos. Tão indispensáveis eram as bibliotecas para esta ordem monástica que os monges diziam que a biblioteca era a sala de armas de um monastério, similar à sala de armas de um castelo. [4]

A scriptoria e bibliotecas nos monastérios de São Bento da Europa nos séculos seis e sete, entretanto, não eram de maneira alguma universidades completas e maduras. Estas vieram depois. Com o fundamento acadêmico fornecido pelos monastérios da Ordem de São Bento, as primeiras universidades surgiram nos séculos doze e treze. A evidência, todavia, é um tanto obscura para esta reivindicação. [5] Portanto, a universidade comumente citada como sendo a primeira é a Universidade de Bolonha, na Itália, fundada em 1158, a qual tem sido creditada aos esforços do Imperador Frederico Barbarossa. [6] Pelo menos um erudito, todavia, argumenta que a universidade em Bolonha era uma descendente da escola de leis fundada pelo Imperador Teodósio II já no ano 425 em Constantinopla. [7] A escola de Teodósio declaradamente possuía 31 professores que ensinavam Latim, Grego, leis, e filosofia. [8] Passando por cima da dúbia história da escola de Teodósio, há certas evidências apontando que a escola de Bolonha apareceu primeiramente no século dez. [9] Independentemente de seu tempo exato de origem, a Universidade de Bolonha em 1158 se especializou em direito canônico. A próxima a aparecer foi a Universidade de Paris em 1200. [10] Paris se especializou em teologia, e em 1270 ela adicionou o estudo de medicina. 

Bolonha se tornou a mãe de várias universidades na Itália, Espanha, Escócia, Suécia, e Polônia. A Universidade de Paris se tornou a mãe de Oxford e de universidades em Portugal, Alemanha, e Áustria. A Universidade de Cambridge, através de seu Emmanuel College, se tornou a mãe de Harvard na América. [11] Com o estabelecimento da Universidade de Bolonha e a Universidade de Paris e sua numerosa descendência, o ensino superior formal havia se tornado permanentemente institucionalizado. De acordo com Haskins, a universidade do século doze é "a descendente linear das medievais Paris e Bolonha." [12] 

De suas raízes monásticas e através do seculo dezenove, todas as universidades eram fundadas como instituições Cristãs, independentemente se ensinavam direito, teologia, ou medicina. Até boa parte do século dezenove, mesmo com o crescimento de estudos científicos, as universidades e faculdades Ocidentais "quase sempre operavam dentro de limites teológicos." [13] O carimbo Cristão em faculdades e universidades era evidenciado em seus nomes. Na Inglaterra e Estados Unidos numerosos colégios e universidades eram nomeados em honra à santos Cristãos: St. Anne's, St. Anthony's, St. Mary's, St. Bernard's, St. Olafs, e outros. Ainda outros colégios receberam nomes como: Christ, Trinity, Emmanuel, King's Magdalene, e assim por diante. 

Pesquisa: Suas Raízes Monásticas

Quando as pessoas pensam em universidades atualmente, em contraste com os colégios, elas pensam em pesquisa. Eram as universidades em Bolonha e Paris instituições de pesquisa? A resposta é um mínimo sim. Nos monastérios, onde as traduções e cópias de vários livros bíblicos e não-bíblicos e manuscritos eram feitas, os monges frequentemente comparavam e consultavam as diferentes fontes das quais eles haviam copiado ou traduzido. Isto é evidente das variantes leituras encontradas em cópias existentes de textos bíblicos em Grego e em Latim, bem como de textos clássicos não-bíblicos. Estas atividades relacionadas à pesquisa continuaram nas universidades, pois agora professores compilavam lições a partir das diferentes fontes das bibliotecas. Isto certamente era pesquisa, embora não pesquisa empírica. 

Não muito após o surgimento das primeiras universidades, algumas instituições se engajaram em pesquisa empírica. Em 1300, por exemplo, a Universidade de Bolonha (inicialmente uma escola de direito) dissecava cadáveres humanos para propósitos forenses afim de resolver processos judiciais. A dissecação de corpos humanos logo se espalhou para outras universidades que funcionavam como escolas médicas, por exemplo, as de Montpellier e Pádua. [14] E por volta de 1936, o Rei Charles VI da França ordenou que cada ano um cadáver de um criminoso fosse entregue na faculdade de Montpellier para estudos anatômicos. [15] A ação do rei foi precedida pelos estatutos de 1340 da Universidade de Montpellier, os quais garantiam cadáveres humanos para dissecação a cada dois anos. 

Que a pesquisa empírica, primeiramente confinada às escolas de medicina, ocorreu relativamente cedo na existência de universidades medievais não deveria nos surpreender se lembrarmos que eram os monges que ensinavam nas universidades e que haviam vindo de uma longa tradição de fazer tanto o trabalho intelectual quanto o físico. Os monges eram "usados até acumularem sujeira embaixo de suas unhas." [16] Fazer trabalho empírico era apenas uma extensão de seu trabalho físico; era a maneira Cristã de combinar atividade intelectual e manual. 

Antes deste tempo na história, com a pequena exceção de Arquimedes (ca. 287-230 A.C.), que construiu um parafuso de água e um aparelho para estudar geometria, e Galeno (A.D. 131-200), que dissecava animais e alguns cadáveres humanos, os grandes pensadores jamais testaram suas teorias empiricamente. Gregos e Romanos educados enxergavam toda atividade manual como sendo apropriada apenas a escravos, e uma vez que a pesquisa empírica exigia atividade manual, as brilhantes teorias propostas pelos antigos filósofos Gregos permaneceram não testadas. Por exemplo, Pitágoras (ca. 560-489 A.C.) argumentou que a terra era esférica e girava; Anaxágoras (ca. 500-428 A.C.) teorizou que a lua recebia sua luz do sol e que os eclipses lunares eram o resultado da terra impedindo uma porção da luz solar; Demócrito (ca. 460-370 A.C.) esposava a visão de que o mundo consistia de um número infinito de átomos que se moviam em um vácuo (vacuum); e Arquimedes (ca. 287-212 A.C.) avançou a teoria de um universo centrado no sol (heliocêntrico) e acreditava que a terra girava em torno do sol, o qual era estacionário. Desta maneira, a pesquisa empírica, a qual apareceu realmente nos monastérios medievais onde as atividades manuais e intelectuais não eram consideradas incompatíveis, foi uma enorme inovação e uma contribuição revolucionária ao mundo do aprendizado, uma contribuição legada à posteridade, e uma que as universidades atuais, seculares ou relacionadas à igreja, não podem sobreviver sem. O mundo do conhecimento seria grandemente aprimorado se eruditos e cientistas fizessem este grande legado do Cristianismo conhecido. 

A Origem dos Colégios e Universidades na América

Dada a poderosa influência que o secularismo atualmente possui sobre a maioria dos Americanos, eles provavelmente não estão cientes de que "toda instituição colegial fundada nas colônias antes da Guerra da Revolução - exceto a Universidade de Pensilvânia - foi estabelecida por algum ramo da igreja Cristã." [17] Nem a maioria dos Americanos está ciente de que em 1932, quando Donald Tewksbury publicou The Founding of American Colleges and Universities Before the Civil War (A Fundação dos Colégios e Faculdades Americanos antes da Guerra Civil), 92 porcento dos 182 colégios e universidades eram fundados por denominações Cristãs.

A maioria dos colégios e universidades que são hoje amplamente conhecidos começaram como escolas Cristãs. O Colégio Harvard, estabelecido em 1636, agora conhecido como Universidade de Harvard, foi fundada pela Igreja Congregacional como uma instituição teológica; o Colégio de William e Mary começou como uma escola Episcopal, também primariamente afim de treinar o clero; a Universidade de Yale começou principalmente como uma instituição Congregacional para "Educar Ministros em nossa Própria Maneira." [18] Os Metodistas fundaram a Universidade de Northwestern em Evanston, Illinois; a Universidade de Columbia (primeiramente conhecida como King's College) começou como uma arriscada empreitada Episcopal; a Universidade de Princeton começou como uma escola Presbiteriana; e a Universidade de Brown possui origens Batistas. Até mesmo algumas universidades do estado, por exemplo, a Universidade de Kentucky, a Universidade da Califórnia (Berkeley), e a Universidade de Tennessee, tiveram suas origens como escolas de igrejas. Mas atualmente estas instituições de ensino avançado têm abandonado suas origens Cristãs de outrora. Outras instituições, as quais ainda possuem alguma tênue ligação às suas denominações fundadoras, têm também largamente desertado sua fidelidade Cristã. Todavia, neste último grupo de colégios ou universidades, não é incomum ver em um  catálogo de colégios do estado que aquele colégio é uma "instituição Cristã" muito embora o que seja ensinado em suas salas de aula é comumente tão secular quanto qualquer coisa ensinada em universidades do estado. Apesar do massivo desvio de tantas instituições anteriormente Cristãs de seus títulos originais, o fato permanece que muitas delas não existiriam atualmente se não fosse pelos seus antepassados Cristãos. Similarmente, a maioria das universidades presentes na Europa - por exemplo, Oxford, Paris, Cambridge, Heidelberg, e Basel - possuem origens Cristãs.

Notas

1. Charles H. Haskins, The Rise of Universities (New York: Henry Holt, 1923), 3.
2. A. B. Cobban, The Medieval Universities: Their Development and Organization (Chatham, England: Methuen, 1975), 22.
3. Daniel J. Boorstin, The Discoverers (New York: Vintage Books, 1983), 491.
4. Ibid. 492-93.
5. Bowen, History of Western Education, 109.
6. Gabriel Compayre, Abelard and the Origin of the Early History of Universities (New York: Charles Scribner's Sons, 1899), 42.
7. Ibid., 56.
8. Millar, Christian Education in the First Four Centuries, 125.
9. Ibid. 110.
10. Compayre, Abelard, 14.
11. Cubberly, History of Education, 218.
12. Haskins, Rise of Universities, 5.
13. George M. Marsden, The Outrageous Idea of Christian Scholarship (New York: Oxford University Press, 1997), 15.
14. Cobban, Medieval Universities, 44.
15. Compayre, Abelard, 255.
16. Lynn White usa esta expressão em "The Significance of Medieval Christianity," na obra The Vitality of the Christian Tradition, ed. George F. Thomas (New York: Harper and Brothers, 1945), 93.
17. Paul Lee Tan, Encyclopedia of 7700 Illustrations: Signs of the Times (Rockville, Md.: Assurance Publishers, 1984), 157.
18. Thomas Clap: citado em Donald Tewksbury, The Founding of American Colleges and Universities Before the Civil War (New York: Teachers College Columbia University, 1932), 82.



sábado, 11 de maio de 2013

A Soberania de Deus na Educação - Rousas J. Rushdoony



Embora nossas evidências sejam por vezes fragmentadas, uma das áreas mais interessantes de estudo na igreja primitiva diz respeito à adesão à igreja. Tanto a latitude quanto a severidade dos padrões nos são surpreendentes à primeira vista. A Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios nos mostra que alguns novos membros ainda mantinham a crença Grega que os pecados da carne nada significavam, uma vez que apenas o espírito é religiosamente significativo; eles se gabavam de sua "liberdade" em assuntos da carne (I Cor. 5:1-2). Por outro lado a rápida reação de São Paulo era exigir e assegurar a excomunhão dos ofensores (I Cor. 5:13) e então sua restauração sob arrependimento (II Cor. 2:6-11). 

No Sínodo de Ancira, em 314 D.C., vemos quão sério o pecado era considerado. Membros em pecado eram barrados da comunhão completa por um longo período de tempo como punição pelas suas ofensas: sete anos por adultério, dez anos por aborto, e assim por diante; assassinos arrependidos recebiam a comunhão completa apenas em seu leito de morte. Ofensas capitais que o estado não punia com morte a igreja portanto punia com um longo lembrete da seriedade de sua ofensa. A prática de adivinhação, mágica, bruxaria, e similares, significava uma suspensão de cinco anos.

Um dos argumentos que dividiu a igreja primitiva dizia respeito ao retorno após perseguições de membros que negaram Cristo quando confrontados com a morte. A igreja como um todo favorecia a restauração sobre processos devidos, enquanto grupos divisores rejeitavam sua volta. 

Outro problema que preocupava a igreja era a vocação dos membros. Poderia um soldado, um juiz, um oficial do império, ou várias outras pessoas serem Cristãs? A atitude moderna é rejeitar tal pergunta e aludir à Filipenses 4:22, "Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César." A referência é provavelmente à homens que ocupavam cargos de alto-escalão na gestão dos reinos de César. Eles eram Cristãos em boas posições, e ostensivamente isto deveria encerrar a questão. Não é bem assim. Nós de fato sabemos que, embora todas as vocações legítimas fossem chamados divinos, muitos homens em tais vocações, quando exigidos a fazer algo que fosse contra suas consciências, resignaram, testemunharam contra as ordens, e morreram por sua fé. O homem justificado devia justificar seu chamado em termos da palavra de Deus e sua utilidade para o Reino de Deus. Havia um forte senso de responsabilidade para com o Reino que não podemos ignorar. Não devemos idealizar a igreja primitiva: ela tinha sérios problemas e erros, era frequentemente infectada com filosofias Gregas, tinha problemas com convertidos fracos e ignorantes, e amiúde enfrentava tensões internas. O que a marcou enfaticamente como forte em um mundo moribundo e atomístico era seu forte senso de ser uma nova humanidade em Cristo, a nova e vitoriosa raça nascida do último Adão, e portanto uma comunidade que tinha fortes laços uns com os outros. Williams, embora chame atenção às aberrações da igreja primitiva, ainda afirma que a mesma foi uma igreja notável:

Houvesse o Dia do Julgamento acontecido naqueles dias, a maioria dos crentes teria sido colocada à mão direita do Rei. Os doentes e pobres eram cuidados, e trabalho era encontrado para os desempregados. Estranhos eram entretidos como irmãos em Cristo. Aqueles que haviam perdido tudo ao invés de negar sua fé, eram suportados e abrigados. Nosso Sunrise Service anual era uma preocupação diária, pois cada dia trazia sua mensagem da Páscoa. A vida privada pertencia à comunidade de santos e era moldada pelos seus decretos e sustentada pelos seus recursos. O lar também era tido como uma reserva espiritual para nutrir a família no amor e temor do Senhor. Eles eram cidadãos do Reino de Deus e os maiores benfeitores do Estado.

O senso de comunidade era intensamente forte. O imperador anti-Cristão, Juliano, declarou, "Estes Galileus ateus alimentam não apenas seus próprios pobres, mas também os nossos; nossos pobres carecem de cuidados."

A igreja primitiva levou a sério as palavras de São Paulo em I. Cor. 7:20-23. Primeiro, homens piedosos não são revolucionários: o caminho do Senhor é regeneração, não revolução. Portanto, um ataque frontal, por exemplo, à escravidão, era proibido. Segundo, se possível, eles deveriam procurar a liberdade honestamente como a melhor condição para os homens livres de Deus. Terceiro, como servos ou escravos de Cristo, comprados por um preço, eles não poderiam voluntariamente tornarem-se escravos de homens. 

Como resultado, embora Cristãos pudessem ser funcionários públicos sob César, eles eram servos de Cristo apenas. Eles não podiam, diferente de muitos funcionários públicos, enxergarem a si mesmos como servos do povo, ou servos do estado. Eles eram servos de Cristo, "comprados por um preço." 

A igreja primitiva tinha sérias fraquezas que de longe ultrapassam aquelas da igreja atualmente, mas sua força era muito maior. Havia uma razão para isto. Primeiro, como Williams apontou, os fiéis eram uma comunidade, e uma comunidade responsável. Segundo, a igreja primitiva tinha consciência de seu conflito com o mundo; agora, há pouco senso de conflito. Não ocorreria à uma igreja atual, seus oficiais, ou seus membros levantar tais questões como estas: É um juiz que não desafia a lei humanista que está tomando conta de nosso país fiel à Cristo? É ele o servo do povo, ou do estado, ou é ele servo de Cristo? Podem empregadores e trabalhadores desconsiderarem Efésio 6:5-9 e serem contados como piedosos? Nós não aceitamos que cafetões e prostitutas se torne membros da igreja, mas podemos nós legitimamente aceitar antinomianos que assumem que uma profissão verbal de fé pode substituir uma negação de Cristo em seus trabalhos?

Acima de tudo, podemos reter em comunhão pessoas que afirmam Cristo como Senhor e Salvador e todavia entregam seus filhos à uma escola ímpia? Houve um tempo onde a maioria das igrejas disseram não; algumas ainda passam pela formalidade de pedir aos membros que se lembrem de sua obrigação de criar seus filhos no Senhor, mas ela não é mais uma base para excomunhão. E todavia as Escrituras repetidamente exigem que ensinamos a palavra-lei de Deus à nossas crianças (Deut. 6:7, 20-25). As Escrituras exigem, de fato, a pena de morte para a adoração à Moloque (Lev. 18:21; 20:2). Santo Estêvão citou este fato de adoração à Moloque como um dos maiores pecados de Israel (Atos 7:43). 

É importante que entendamos o significado da adoração à Moloque. A palavra de fato é Melek, king, mas os profetas Hebreus deliberadamente a pronunciavam de maneira errônea, introduzindo as vogais da palavra Hebraica para vergonha. Melek, Moloque, ou Milcom, ou literalmente, o rei, era o deus dos Amonitas e de outros povos. Esta religião afirmava, não a soberania dos Deus das Escrituras, mas sim a divindade do estado e seu governante. Ceder as crianças ao fogo para Moloque era sacrifício humano, e é este aspecto dramático da fé que a maioria das pessoas se lembra, sem pensar de fato em seu significado. Apenas em raras ocasiões eram tais sacrifícios humanos exigidos. Em princípio, eles afirmavam a soberania absoluta do rei que possuía o direito de pegar qualquer coisa quando suas necessidades o exigissem. O sacrifício humano avançava seu título à todas as crianças em todos os tempos. Elas pertenciam ao estado, para serem ensinadas a fé do estado, para morrerem para o estado, afim de trabalharem para o estado, e, em todas as coisas, a serem criaturas de seu rei, Moloque. Portanto, o coração da adoração à Moloque não era o sacrifício humano pelo sangue mas o sacrifício humano em submissão diária ao rei como senhor absoluto e soberano.

A resposta Bíblica à Moloque para o homem de fé vem cedo. Deus como soberano absoluto afirmou Seu direito de exigir a vida de Isaque à Abraão (Gên. 22). Abraão concordara com isto, e foi abençoado por Deus. Deus não exigiu a morte de Isaque, mas Ele tornou claro Seu direito absoluto à vida de cada criança dentro da aliança. Nossas crianças pertencem a Deus, não aos homens, nem ao pai (tal como Abraão), nem ao estado de Moloque.

O problema hoje é a adoração à Moloque. A própria razão para o estabelecimento de escolas estatais tem sido, desde os dias de Horace Mann, o controle do homem pelo estado. Já em 1788, Jonathan Jackson, um defensor da educação estatista na Nova Inglaterra escreveu, em seu Thoughts Upon the Political Situation of the United States, (Pensamentos Sobre a Situação Política nos Estados Unidos) contra a idéia de escolas privadas e jornais de propriedade privada; propriedade do estado era o seu evangelho. Ele manteve que a sociedade deve ser uma larga família com a elite governante como seu pai. Esta, obviamente, é simplesmente a tese da sociedade de Moloque. A Realeza de Cristo é substituída pela Realeza do Homem.

O mal é agravado pelo fato de que supostos Cristãos estão atualmente separando senhorio da salvação e negando o senhorio de Cristo antes do milênio. Tal visão é uma negação de Cristo, quem é enfaticamente declarado pelas Escrituras como "o Senhor Jesus" (Rom. 10:9, etc.). Ademais, São Paulo em I Cor. 12:3 declara,

Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

Isto torna claro que, se os homens negarem que "Jesus é o Senhor," eles não falam "pelo Espírito Santo" mas sim por outro espírito.

As raízes de nosso problema atualmente estão parcialmente na influência Maniqueísta sobre a igreja. O Maniqueísmo dividia a realidade em dois reinos, o espiritual sob o deus bom, e o material sob o deus mal. Qualquer coisa que fosse feita no reino material era por natureza estranha e irrelevante à piedade. Isto reduzia o casamento, incesto, e homossexualidade ao mesmo nível em teoria e por vezes também em prática. Significava também que o senhorio do deus bom estava limitado ao reino espiritual, e envolvimento de seu povo no reino material deveria ser evitado e significava um acordo com o mal.

Sob a influência de idéias neoplatônicas e Maniqueístas, a igreja em anos recentes tem recuado do mundo, recuado da educação, política, ciências, artes, e todas as outras coisas. Ela tem por meio disto negado o senhorio de Jesus Cristo.

Em Jeremias 31:31-34 nós temos uma profecia da nova aliança em Cristo e seus resultados finais. No v. 34, nos é dito

E não ensinará mais cada um ao seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o SENHOR; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei de seus pecados.

Esta é uma visão do mundo na qual o evangelismo básico não será mais necessário, pois todos os homens possuem um conhecimento do Senhor. Tal ordem de mundo não é possível sem escolas Cristãs, escolas que ensinam cada assunto em termos de pressuposições Bíblicas e as quais também fornecem um estudo sistemático da palavra de Deus à todas as crianças.

A soberania de Deus na educação exige que reorganizemos toda nossa educação em termos da fé e pressuposições Bíblicas, que afirmemos os direitos à coroa do Rei Jesus em todas as áreas da vida e pensamento, e que submetamos ao Senhor a devida obediência na igreja, estado, escola, casa, vocação, e em toda a vida. Nada menor do que isto é Cristão. A doutrina da soberania de Deus o exige.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Porque o Novo Testamento se Cala Sobre a Escravidão - Ou Realmente se Cala?

Escravos como Pessoas

O Novo Testamento pressupõe uma igualdade fundamental pois todos os humanos são criados à imagem de Deus (Tiago 3:9). Todavia, uma unidade ainda mais profunda em Cristo transcende os limites humanos e estruturas sociais: não há Judeu ou Grego, escravo ou livre, mulher ou homem, uma vez que todos os que  crêem são "um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28; Colossenses 3:11).

Alguns críticos declaram, "Jesus nunca disse nada sobre a injustiça da escravidão." Não é bem assim. Ele explicitamente se opôs à todas as formas de opressão em Sua missão de "proclamar liberdade aos cativos... a abertura de prisão aos presos" (Lucas 4:18; Isaías 61:1). Enquanto Jesus não fez pressão por um plano de reforma econômica em Israel, Ele de fato tratou de assuntos tais como ganância, materialismo, contentamento e generosidade.

Os escritores do Novo Testamento trataram de atitudes subjacentes concernentes à escravidão: Senhores Cristãos chamavam servos Cristãos de "irmãos" ou "irmãs." O Novo Testamento exigia que os senhores mostrassem compaixão, justiça e paciência. Sua posição como senhores significava responsabilidade e serviço, não opressão e privilégios. Portanto, a semente já estava na terra para alterar estruturas sociais.

Tanto os escritores do Novo Testamento quanto Jesus, seu Mestre, se opuseram à desumanização e opressão de outros. De fato, Paulo dispensou regras em Efésios 6 e Colossenses 4 não apenas para servos Cristãos, mas também para senhores Cristãos. Os escravos eram em última análise responsáveis perante Deus, seu Senhor celestial. Mas os mestres "devem tratar seus servos da mesma maneira" - a saber, como pessoas governadas por um Senhor celestial (Efésios 6:9). O comentarista P. T. O'Brien ressalta que a "exortação secreta de Paulo era uma afronta" ao seu tempo. [2]

Dada a igualdade espiritual de escravos e livres, escravos até mesmo ocuparam posições de liderança em igrejas. O ministério de Paulo ilustra como em Cristo não há escravo ou livre, quando ele saudava as pessoas pelos nomes em suas epístolas. Algumas dessas pessoas haviam usado nomes de escravos e libertos. Por exemplo, em Romanos 16:7,9, ele se refere à escravos tais como Andrônico e Urbano (nomes comuns de escravos) como "parentes" e "companheiros na prisão" e "cooperadores". A abordagem do Novo Testamento ao tema da escravidão é contrária àquela de aristocratas e filósofos tais como Aristóteles, que defendeu que alguns humanos eram escravos por natureza (Política I.13).

Paulo lembrou os senhores Cristãos que eles, juntamente com seus servos, serviam o mesmo Mestre imparcial. Portanto, eles não deviam maltratá-los mas antes tatá-los como irmãos e irmãs em Cristo. Paulo exortou os senhores humanos a conceder "justiça e equidade" aos seus servos (Colossenses 4:1) De maneira nunca antes vista, Paulo tratou os servos como pessoas moralmente responsáveis (Colossenses 3:22-25) que, assim como seus senhores Cristãos, são "irmãos" e parte do corpo de Cristo (I Timóteo 6:2). [3] Cristãos - tanto senhores como servos - pertencem à Cristo (Gálatas 3:28; Colossenses 3:11). Status espiritual é mais fundamental e libertador do que status social.

O Silêncio dos Escritores do Novo Testamento sobre a Escravidão

Embora os críticos declarem que os escritores do Novo Testamento se mantiveram calados sobre a escravidão, nós podemos ver uma oposição sutil à ela em várias maneiras. Podemos confiantemente dizer que Paulo teria considerado a escravidão pré-guerra Sulista com seu mercado uma abominação - uma violação completa da dignidade humana e um ato de sequestro. Na lista de vícios enumerados por Paulo em 1 Timóteo 1:9,10, ele expõe do quinto até o nono mandamento (Êxodo 20; Deuteronômio 5). Lá Paulo condena os "roubadores de homens" que roubam o que lhe não é de direito. [4]

Os críticos se perguntam porque Paulo ou os outros escritores do Novo Testamento (1 Pedro 2:18-20) não condenaram a escravidão ou ordenaram que os senhores libertassem seus servos. Nós devemos primeiramente separar esta questão de outras considerações. A posição dos escritores do Novo Testamento sobre o status negativo da escravidão era clara em vários pontos: (a) eles repudiavam comércio de escravos; (b) eles afirmaram a completa dignidade humana; (c) eles encorajaram os servos a adquirirem a liberdade sempre que possível (1 Coríntios 7:20-22); (d) suas afirmações Cristãs revolucionárias, se consideradas seriamente, iriam ajudar a desfazer o tecido da instituição da escravidão, que foi o que de fato aconteceu após vários séculos - na eventual erradicação da escravidão na Europa; e (e) em Apocalipse 18:11-13, a decaída Babilônia (o mundo dos opositores de Deus) jaz condenada pois tratara humanos como "mercadoria," tendo traficado "corpos e almas de homens' (verso 13). Esse repúdio em tratar humanos como mercadorias assume a doutrina da imagem de Deus em todos os seres humanos.

Paulo, juntamente com Pedro, não iniciou uma revolta para erradicar a escravidão em Roma. Por um lado, eles não queriam que as pessoas enxergassem a fé Cristã como oposta à ordem social e harmonia. Sendo assim, os escritores do Novo Testamento disseram aos Cristãos para fazer o que é certo. Mesmo se eles fossem maltratados, suas consciências estariam livres (1 Pedro 2:18-20). Sim, obrigações foram conferidas à estes escravos sem seu consentimento prévio. Portanto a caminhada cristã para estes primeiros Cristãos era complicada - muito diferente da situação de servidão voluntária da Lei Mosaica.

Uma revolta contra a escravidão faria um desserviço ao Evangelho - e constituiria uma ameaça direta à um estabelecimento Romano opressivo ("Senhores, libertem seus escravos"; ou, "Escravos, libertem suas cadeias.") Roma iria rapidamente aniquilar uma oposição flagrante com força letal e rápida. Desta maneira a admoestação de Pedro aos servos injustamente tratados implica um sofrimento tolerado sem retaliações. O sofrimento em si mesmo não é algo bom; mas a reação correta no meio do sofrimento é louvável.

Os primeiros Cristãos minaram a escravidão indiretamente, rejeitando muitas suposições Greco-Romanas sobre ela (Aristóteles, por exemplo) e reconhecendo o valor igual e intrínseco dos escravos. Uma vez que o Novo Testamento nivelou todas as distinções nos pés da Cruz, a fé Cristã -  sendo contra-cultural, revolucionária, e anti-status-quo - era particularmente atrativa aos escravos e classes menores. Desta maneira, como fermento, uma vida Cristã poderia ter um efeito gradual de fermentação na sociedade de tal maneira que instituições opressivas tais como a escravidão pudessem finalmente ser derribadas. Isto é, de fato, o que aconteceu por toda a Europa: a Escravidão foi abolida uma vez que as nações Europeias "Cristianizadas" claramente enxergaram que possuir outro ser humano era contrário à criação e à nova criação em Cristo. [5]

O Presidente Abraham Lincoln, que embora desprezasse a escravidão abordou-a de maneira astuta, usou essa estratégia incremental. Sendo um estudante excepcional da natureza humana, ele reconheceu que realidades políticas e reações previsíveis exigiam uma abordagem incrementada. A rota radical abolicionista de John Brown e William Lloyd Garrison iria (e de fato criou) simplesmente criar refreio social contra abolicionistas radicais e tornar a emancipação ainda mais difícil. [6]

Devolvendo Onésimo: Uma Volta à Hammurabi?

Paulo ao devolver Onésimo ao seu alegado dono Filemom estava dando um passo para trás moralmente? Isto não estava de acordo com o código de Hammurabi que insistia no retorno de escravos fugitivos aos seus senhores - algo proibido no Antigo Testamento (Deuteronômo 23:15-16)? Alguns dizem que Paulo estava lado a lado com Hammurabi contra o Antigo Testamento.

Ler uma epístola do Novo Testamento tal como Filemom é como ouvir apenas um lado de uma conversa por telefone. Nós apenas ouvimos a voz de Paulo, mas várias brechas existem, brechas que gostaríamos muito que fossem preenchidas. Qual era a relação de Paulo com Filemom ("querido amigo e companheiro" Filemom 1,17)? Qual era a dívida de Filemom para com Paulo? Como Onésimo havia transgredido contra Filemom (se é que ele realmente o fez)? [7]

Muitos intérpretes tomaram a liberdade de nos ajudar a preencher as lacunas. O resultado típico? Eles lêem mais do que está no texto. A hipótese mais comum de que Onésimo era um escravo fugitivo de Filemom é bem tardia, sendo traçada até o pai da igeja João Crisóstomo (347-407 D.C). Entretanto, genuínos desacordos eruditos existem sobre essa interpretação. A epístola não contém nenhum verbo de "fuga", como se Onésimo houvesse de repente desertado. E Paulo não mostra sinal algum de temer que Filemom fosse brutalmente ameaçar Onésimo se ele retornasse, como senhores Romanos tipicamente faziam quando capturavam seus escravos fugitivos.

Alguns plausivelmente sugeriram que Onésimo e Filemom eram irmãos Cristãos (talvez biológicos) distantes. [8] Paulo exortou Filemom a não receber Onésimo como um escravo (cujo status na sociedade Romana significava alienação e desonra); antes devia receber Onésimo como um irmão amado: "para que você o tivesse de volta para sempre, não mais como escravo, mas, acima de escravo, como irmão amado. Para mim ele é um irmão muito amado, e ainda mais para você, tanto como pessoa quanto como Cristão." (Filemom 1:15,16, NVI, ênfase adicionada).

Note a linguagem similar em Gálatas 4:7: "Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e por ser filho, Deus também o tornou herdeiro."(NVI, ênfase adicionada). Isto pode lançar mais luz sobre a interpretação da epístola de Filemom. Paulo queria ajudar a curar a ferida de maneira que Filemom recebesse Onésimo (não um escravo) de volta como um irmão amado no Senhor - não simplesmento como um irmão biológico. Ao fazer assim ele estaria seguindo o próprio exemplo de Deus ao receber-nos como filhos e filhas ao invés de como escravos.

Mesmo se Onésimo fosse um escravo, isto não significaria que ele era um fugitivo. Se um desacordo ou
mal-entendido houvesse ocorrido entre Onésimo e Filemom, e o primeiro houvesse procurado Paulo para intervir ou julgar a disputa, isto não tornaria Onésimo um fugitivo oficial. E dado o conhecimento de Paulo do caráter de Filemom e histórico de dedicação Cristã, a sugestão que a volta de Onésimo era o código de Hammurabi revisitado é infundada. Novamente, se Onésimo fosse realmente um escravo na casa de Filemom, a estratégia de Paulo era esta: ao invés de proibir a escravidão, imponha a irmandade. [9]

Em resumo, Jesus e os escritores do Novo Testamento se opuseram à opressão, mercadoria de escravos, e ao tratamento de humanos como mercadorias. Os primeiros Cristãos eram uma nova e revolucionária comunidade unida em Cristo - pessoas que transcendiam barreiras raciais, sociais e sexuais - que eventualmente levaram à abolição da escravatura na Europa alguns séculos mais tarde.


http://enrichmentjournal.ag.org/201104/201104_108_NT_slavery.cfm

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

30 coisas que você provavelmente não sabia sobre C. S. Lewis


1. Ele não era Inglês. Embora muitos pensem e se refiram à ele como tal, ele nasceu de fato em Belfast, na Irlanda. Portanto ele era tecnicamente Britânico, mas não Inglês.

2. Ele mudou seu nome para Jack. Em 1902 ele anunciou aos seus pais que ele seria, daquele dia em diante, atender pela alcunha de “Jacksie.” Nome que foi então diminuído para “Jacks” e então finalmente “Jack.” Ele não seria mais Clive. 

3. Ele nunca aprendeu a dirigir.

4. Seu som favorito era a risada do homem adulto.


5. Sua felicidade ideal era “estar sempre convalescente devido à alguma pequena enfermidade e estar sentado em uma janela com vista para o mar, para então ler estes poemas (épicos da Itália Renascentista) por oito horas de cada dia feliz.”

6. Ele amava o mar. 

7. Ele falhou nos seus exames de entrada em Oxford, duas vezes. Ele tentou os exames pelo menos duas vezes e falhou na seção de matemática. Ele foi permitido entrar em Oxford em 1917 pois havia servido no exército.

8. Ele sonhava com leões. Antes de escrever As Crônicas de Nárnia ele teve sonhos estranhos com leões e figuras em sua cabeça de um fauno carregando pacotes.

9. J. R. R. Tolkien não gostava das histórias de Nárnia. Tolkien não apreciava as alegorias Cristãs, muito menos da mistura de mitos. Embora pareça que ele mantivesse um carinho por Aslam, todavia.

10. Aslan é a palavra Turca para “leão.” 

11. Ele frequentemente se referia à Jesus como Aslan em suas orações.

12. Alguns argumentam que Tolkien baseou Barbárvore em Lewis. Eu não posso provar esta, mas já a ouvi em mais de um lugar. 

13. Sua conversão ao Cristianismo não ocorreu no momento descrito em Surpreendido pela Alegria: “Você deve me imaginar sozinho naquele quarto em Magdalen, noite após noite, sentindo, sempre que minha mente se elevava até mesmo por um segundo do meu trabalho, a firme e implacável aproximação Daquele que eu tanto não desejava encontrar. Aquilo que eu tanto temia havia finalmente vindo sobre mim. No final do ano letivo de 1929 eu desisti, e admiti que Deus era Deus, e ajoelhei e orei: talvez, naquela noite, o mais abatido e relutante convertido em toda a Inglaterra. Eu não via então o que agora é o fato mais óbvio e brilhante; a humildade Divina que irá aceitar um convertido até mesmo em tais termos. O filho pródigo pelo menos entrou em sua casa com os próprio pés. Mas quem poderá adorar devidamente aquele Amor que irá abrir os portões para um pródigo que é trazido chutando, lutando, ressentido, e aguçando seus olhos em todas as direções por uma chance de fuga? As palavras compelle intrare, ‘obriga-os a entrar,’ têm sido tão abusadas por homens perversos que nos causam arrepio à sua simples menção; todavia, propriamente compreendidas, elas sondam as profundezas da misericórdia Divina. A dureza de Deus é mais benevolente que a suavidade do homem, e a Sua compulsão é nossa liberação.” 

Esta foi apenas sua conversão do ateísmo para o teísmo em 1929. Sua conversão ao Cristianismo não ocorreu até 1931 quando ele e seu irmão foram ao Zoológico de Whipsnade. Warren pilotava a motocicleta enquanto Jack se encontrava sentado ao assento atrelado ao lado! Ele escreveu, “Quando nós saímos, eu não acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, e quando alcançamos o zoológico, eu acreditava.” Na noite anterior à esta viagem, Lewis havia tido uma longa discussão com Hugo Dyson e J. R. R. Tolkien sobre o Cristianismo.

14. Ele não afirmava a inerrância das Escrituras. Para ser claro, ele mantinha a Bíblia e sua autoridade em alta estima. Ele a lia constantemente (Versão Autorizada). Mas não usaria a mesma linguagem sobre a Bíblia que os evangélicos usam hoje em dia.

15. Ele não era um fã da Reforma. Ele acreditava que os problemas envolvidos poderiam ter sido lidados de uma maneira mais apropriada. Ele se referiu à mesma como “ridícula.” 

16. Ele fumava ... um monte!

17. Ele bebia ... consideravelmente!

18. Ele se vestia notavelmente mal. 


19. Ele era extremamente generoso. Douglas Gresham lembra um história onde Jack e um amigo estavam andando para uma reunião um dia quando ambos foram abordados por um pedinte. O pedinte pediu alguns trocados enquanto Jack o deu tudo que tinha. Uma vez sozinhos, seu amigo disse, “Você não deveria ter dado todo o seu dinheiro àquele homem Jack, ele vai gastar tudo em bebida!” Jack respondeu - “Bem, se eu tivesse ficado com ele, eu mesmo o teria gasto todo com bebida.” 

20. Ele se casou com Joy Davidman em um hospital. Isto ocorreu um ano após seu casamento em uma cerimônia civil secreta, casamento este que se deu devido à negação da residência de Joy na Inglaterra pelo Governo Britânico. Mas ele queria uma cerimônia na Igreja, daí o casamento no hospital.

21. Anatomia de uma dor foi originalmente publicado sob o pseudônimo de N. W. Clerk. Lewis escreveu esta obra após a morte de Joy em 1960. Muitos que leram o livro mandaram uma cópia à Lewis na esperança de ajudá-lo no seu apuro! 

22. Cristianismo Puro e Simples não faz menção à Ressurreição. Ele escreveu sobre a Ressurreição, todavia, em Milagres e outras obras. 

23. Ele leu todos os livros do Século 16. Para preparar sua "English Literature in the 16th Century," ele leu cada um dos volumes do século 16 da Biblioteca de Duke Humphrey, a parte mais antiga da Biblioteca Bodleiana. 

24. Cartas de um Diabo ao seu aprendiz foi seu livro menos favorito de escrever. Ele disse que nunca escreveu com menos prazer. Ter que “mudar de lado” foi difícil para ele. 

25. Ele escreveu para Kathy Keller. Kathy é a esposa de Tim Keller. Ele escreveu para Lewis quando tinha 12 anos. Existem quatro cartas dele para ela em Letters to Children e no volume três de Letters of C. S. Lewis. 

26. Ele dividiu um barco para a Irlanda com Martyn Lloyd-Jones em 1953. Os dois haviam se encontrado anteriormente quando Lloyd-Jones participou de uma preleção dada por Lewis onde após a mesma almoçaram juntos. 

27. Ele não era Calvinista. Ele disse em um carta (3:866) “Eu não sou um Calvinista.” 

28. Ele morreu em 22 de Novembro de 1963. Este foi obviamente o mesmo dia que Kennedy foi baleado bem como o dia em que Aldous Huxley morreu.

29. Walter Hooper se referiu à ele como “o homem mais completamente convertido que eu jamais conheci.”

30. Ele disse sobre seus escritos, “Cinco anos depois da minha morte ninguém irá ler nada do que eu escrevi.” Ele está morto agora por 49 anos. Felizmente, Sr. Lewis, você estava errado! Feliz Aniversário! 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Breve Biografia de Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)


O País de Gales é um local deveras único em todo o mundo. Embora parte da Grã-Bretanha, as pessoas são ferozmente rápidas em lembrá-lo de que elas são Galesas, não Inglesas, e elas o podem fazer em sua própria língua ao invés do Inglês. Gales também tem sido uma terra de fortes contrastes espirituais. No final do século 18, Christmas Evans irrompeu na cena. O "Bunyan Galês de um olho" como muitos o chamaram ajudou a trazer o avivamento primeiro às suas próprias Igrejas Batistas e daí para o todo o resto. Pelo próximo século Gales transbordou e fluiu do avivamento evangélico à frieza e esterilidade teológica. Nomes como Daniel Rowland, William Williams, Howell Harris, e Evan Roberts são lendas do fogo de avivamento Galês. No começo do século 20 o fervor havia mais uma vez esfriado e um tipo de pseudo evangelicalismo tomou as igrejas daquela terra. Eles tinham a fama de vivos mas estavam mortos. 

Foi nesta terra de volúvel humor espiritual que David Martyn Lloyd-Jones nasceu em 20 de Dezembro de 1899. Deus tinha um plano para que essa criança de Henry e Magdalene Lloyd-Jones trouxesse o fogo de avivamento que Evans, Roberts e outros haviam experimentado anteriormente de Gales para o mundo. Algunas haviam dito que Charles Spurgeon havia sido o último Puritano, mas o tempo mostraria que eles deveriam ter esperado para ouvir "O Doutor" antes de fazer essa asserção. 

A juventude de Martyn foi consideravelmente rotineira até Janeiro de 1910. Até aquele ponto o pai de Lloyd-Jones havia sido um homem de negócios razoavelmente bem sucedido em sua cidade de Llangeitho. Aquela noite mudaria muitas coisas, todavia. Nas trevas da noite um incêndio irrompeu, incêndio que quase custou as vidas de Martyn e seus irmãos que dormiam no andar de cima. Embora a família tenha sido salva muitos de seus bens foram perdidos. Henry pareceu nunca se recuperar financeiramente de maneira completa desse revés. Quase por acidente, Martyn descobriu quão desesperadora sua situação havia se tornado. Através de seus anos escolares ele carregou este peso em seu coração. Como resultado Martyn era sério para sua idade e muito focado em ser bem-sucedido em sua educação e vida. Como Ian H. Murray nota em sua maravilhosa biografia de Lloyd-Jones. "Foi como ele houvesse pulado muito do que é comum à juventude, isto é o que ele quis dizer quando declarou, 'Eu nunca tive uma adolescência.' Embora caloroso em seu coração, David Martyn Lloyd-Jones iria sempre carregar com ele uma reputação de austeridade e severidade.

Dr. Lloyd Jones foi criado no Metodismo Calvinista Galês, primeiro como um garoto em Gale
s e depois como um estudante em Londres, quando a Charing Cross Chapel, que sua família frequentava, estava vivendo dos restos da emoção do avivamento Galês. Se você nunca ouviu falar dos Metodistas Calvinistas o próprio termo pode parecer contraditório. Devido aos seus fundamentos espirituais naquele movimento talvez seja sábio tomar algum tempo para ouvir uma explicação daquela denominação vinda do próprio Lloyd-Jones. Considere o seguinte excerto tirado de uma palestra dada por Lloyd-Jones em 1968 à Conferência Puritana de Westminster. 

O Metodismo Calvinista  Galês encontra suas raízes em George Whitefield. Durante a metade do século 18 as igrejas da Grã-Bretanha podiam ser divididas em dois campos principais. O ramo Metodista (sob John Wesley) era Arminiano, significando que eles enfatizavam a livre escolha do homem. O ramo Prestiberiano e Congregacionalista era Calvinista, significando que eles enfatizavam a soberania de Deus na salvação. Ambos os campos tinham seus problemas. O Metodista ignorava a natureza das doutrinas da Graça e a necessidade do homem depravado ser regenerado pelo chamado eficaz de Deus. Por outro lado os Calvinistas (incluindo muitos Batistas) haviam se tornado hiper-Calvinistas, significando que eles começaram a negar a oferta livre do Evangelho a todos os homens e necessidade de evangelismo e missões. 

De muitas maneiras o Metodismo Calvinista procurou o melhor dos dois lados. Estes Cristãos Galeses acreditavam completamente nas doutrinas da Graça. Diferente de seus irmãos Ingleses, todavia, eles não acreditavam que ser Calvinista significava ignorar o coração e as emoções. Eles estavam cientes daquilo que George Whitefield denominou um "Cristo sentido." Lloyd-Jones acertadamente notou que doutrina correta aparte deste "Cristo sentido" tinha problemas inerentes. A Igreja Galesa viu uma necessidade do retorno à pregação da palavra de Deus ao invés de pregar declarações doutrinárias, Catecismos e Confissões. Outra grande preocupação do Metodismo Calvinista foi avivamento. Por esta razão Lloyd-Jones observou que acreditava que Jonathan Edwards era em seu coração um Metodista Calvinista.

Embora a Igreja Galesa Metodista Calvinista houvesse se tornado fria na época de Lloyd-Jones, sua história possui um papel muito importante na formulação de sua vida e ministério. "O Doutor" reintroduziu em seu ministério a necessidade de uma pregação expositiva e cuidadosa. Ele restaurou à Grã-Bretanha o que havia sido conhecido sob Spurgeon e isto era uma ânsia pela pura Palavra de Deus acima da liturgia e forma religiosas. 

Agora devemos retornar à nossa história. Havia pouca doutrina para fazer frente à crescente corrente de liberalismo ou para trazer a distinção entre meros frequentadores de igreja e Cristãos verdadeiros. Os três garotos Lloyd-Jones gostavam de debates intelectuais, mas cada um deles estava mais comprometido com suas respectivas carreiras do que com sua fé professa. Isto era bastante comum naqueles dias. A maioria das pessoas viam a religião como um hobbie apaixonado ao invés de um evento transformador. 

Em 1916 Martyn Lloyd-Jones partiu para a cidade grande afim de iniciar sua educação como um praticante de medicina. Sua educação aconteceu no Saint Bartholomew’s Hospital, mais conhecido simplesmente como Bart’s. Bart’s carregava o mesmo prestígio na comunidade médica do que Oxford na comunidade intelectual. A carreira de Martyn era a medicina. Ele passou nos exames tão novo que teve que esperar para fazer seu MD, época na qual ele já era assistente de Sir Thomas Horder, um dos melhores e mais famosos médicos daquela época. Com 26 anos de idade ele também já possuia seu MRCP (Membro do Colégio Real de Médicos) e estava em seu caminho da escada de Harley Street, com uma brilhante e lucrativa carreira à sua frente. Todavia, Deus tinha planos para que Martyn Lloyd-Jones fosse um médico de almas ao invés de corpos. 

Para a maioria de nós, a estrada de Deus não é reta e rápida mas antes curva e com muitos obstáculos no caminho. Isto era verdade para Lloyd-Jones. Pensando em si mesmo como um Cristão razoavelmente bom, ele rapidamente se envolveu na Igreja Metodista Calvinista chamada Charing Cross Chapel. Entre outras coisas, aquele foi o local onde Martyn conheceu Bethan Philips, também uma estudante de medicina, que nove anos depois iria se tornar sua esposa e companheira de toda a vida. Foi também em Charing Cross Chapel que Martyn aperfeiçoou suas habilidades de debate enquanto ele e seu professor da Escola Dominical frequentemente gastavam horas do domingo de manhã argumentando sobre excelentes pontos das Escrituras. 

Havia outro debate ocorrendo durante aquele tempo mas era privado e conhecido apenas dentro do próprio Lloyd-Jones. Martyn e seus irmãos haviam todos se juntado à Igreja de sua cidade natal em Llangeitho em 1914 devido ao encorajamento de seu ministro, mas Martyn estava agora começando olhar sinceramente para sua real condição espiritual. Ele mais tarde escreveu “Por muitos anos eu pensei que fosse um Cristão quando de fato não o era. Foi apenas depois que eu percebi que nunca tinha sido um Cristão e me tornei um.”  Enquanto ele lutava com sua salvação a graça da verdade entrou em foco. Martyn realmente nunca havia ouvido a sã pregação do Evangelho em sua juventude. Como ele mesmo disse, “O que eu precisava era de uma pregação que me convencesse do pecado e... me trouxesse ao arrependimento e me dissesse algo sobre regeneração. Mas eu nunca havia ouvido isto. A pregação que tínhamos era sempre baseada na suposição de que éramos todos Cristãos...” À medida que o Doutor lia por si mesmo ele lentamas certamente começou a enxergar a lógica e o poder do Evangelho de Jesus Cristo. Como as ondas de uma maré vindoura, a realidade da graça de Deus tomou o coração de Martyn até que confiar em Cristo era tudo que ele podia fazer. E tão certo como essa realidade o tomou pessoalmente também o fez profissionalmente. Cedo se tornou aparente que Deus estava chamando Martyn Lloyd-Jones para pregar e por isso ele nunca mais seria o mesmo!

Ao mesmo tempo ele encarou outra crise. Martyn desejava casar com Bethan Phillips, que frequentava a Charing Cross com seus pais e dois irmãos. Seu pai era um famoso especialista ocular e ela própria estava prestes a se qualificar como uma doutora na University College Hospital. Após o que foi um longo cortejo ele a disse que desejava largar Harley Street e se tornar um Ministro. Após um ano durante o qual claramente a guiou também, eles se casaram em 1927. 

Imediatamente após o casamento o jovem casal voltou ao País de Gales para pastorar sua primeira igreja em Sandfields, Aberavon. Martyn havia retornado ao seu amado País de Gales. Como seu trabalho como médico com os pobres em Londres havia impressionado tanto Lloyd-Jones, este vilarejo era uma escolha lógica. Um escritor a descreveu da seguinte maneira: “Sandfields contém pelo menos 5000 homens, mulheres e crianças vivendo em sua maioria sob condições sórdidas e super-lotadas.” Ou como foi colocado por outro era um lugar para “o apostador, a prostituta e o publicano.”

Muitos receberam Lloyd-Jones de braços abertos mas outros ficaram desconfiados. Os médicos locais não estavam muito felizes com a nova chegada. Eles estavam quase certos de que ele havia aparecido para se mostrar e roubar seus pacientes. Mas o Dr. Lloyd-Jones não era apenas mais um novo ministro saído de um colégio teológico liberal, aparando sua mensagem com a opinião contemporânea e os preconceitos de sua congregação. Ele estava determinado a pregar a mensagem com a clareza de cristal na qual havia vindo até ele. As palavras de seu primeiro sermão tiradas de I Timóteo 1:7 ilustram onde suas convicções estavam fundadas: 

“Nossas... igrejas estão cheias de pessoas que em sua grande maioria tomam a ceia do Senhor sem nenhuma hesitação, e ainda... você realmente imagina mesmo por um momento que todas estas pessoas realmente acreditam que Cristo morreu por elas? “Muito bem então,” você pergunta, “porque elas frequentam a Igreja, porque elas fingem acreditar?” A resposta é, eles têm medo de ser honestos consigo mesmos... Eu sentirei muito mais vergonha por toda a eternidade pelas ocasiões nas quais eu disse que acreditava em Cristo quando de fato não acreditava...”

Isto era demais para alguns da congregação, e estes a deixaram. Mas em seu lugar - devagar no começo - um número crescente veio, atraídos pela verdade, a classe trabalhadora do País de Gales. A mensagem os trouxe e o poder do Espírito Santo os converteu. Não havia apelos dramáticos, apenas um jovem pastor com a clara mensagem da justiça de Deus e Seu amor, a qual trouxe um caso difícil após outro ao arrependimento e conversão. 

Para alguns que estão acostumados à pregação Bíblica é difícil imaginar o agitamento que este jovem pregador causou. Primeiramente ele não era teologicamente treinado (pelo menos não pelos meios reconhecidos.) Ao invés de pregar através de uma forma lecionária ou pré-embalada, Lloyd-Jones era acima de tudo um pregador da Bíblia. Desde o começo ele procurou dar um entendimento de verso-por-verso da Palavra de Deus ao Seu povo. Talvez isto fosse um reflexo de sua própria vida devocional a qual incluía a leitura da Bíblia completa todos os anos. É preciso apenas ler os oito ou nove volumes dos sermões em Romanos ou os oito volumes dos sermões em Efésios por este homem da Palavra para entender quão profunda era sua afeição pela e sua fidelidade às Escrituras.

Também não pode haver dúvida de que a sua leitura dos Puritanos também teve uma profunda influência no doutor que se tornou pregador. Como ainda é verdade em muitos cantos de pensamento religioso e intelectual em nossos dias, os Puritanos eram muito frequentemente caricaturados como malignos destruídores da felicidade e alegria pelos líderes religiosos Ingleses do começo do século vinte. Diferentemente de muitos de seus críticos, todavia, Martyn Lloyd-Jones de fato leu os Puritanos. Ele leu toda a obra de Richard Baxter, Christian Directory, e os muitos volumes de John Owen. Em sua visão, os Puritanos diferiam de outras religiões organizadas de muitas maneiras importantes. Primeiro, os Puritanos enfatizavam a natureza da adoração acima de rituais e formas exteriores. Segundo, eles enfatizavam o corpo conjunto de Cristo acima do indivíduo tornando assim a disciplina da Igreja necessária e saudávela para a causa de Cristo. Finalmente, os Puritanos acreditavam na aplicação direta da Palavra a cada alma. O Espírito do Puritanismo, Lloyd-Jones acreditava, pode ser traçado de William Tyndale à John Owen à Charles Spurgeon. Foi este espírito da centralidade da Palavra de Deus que levou este novo pregador ao País de Gales. 

A Igreja em Aberavon cresceu com a firme corrente de conversões. Notórios alcoólatras se tornaram Cristãos gloriosos e trabalhadores vinham às aulas Bíblicas que ele e sua esposa conduziam afim de aprenderem as doutrinas de sua fé recentemente encontrada. E ao redor do Sul de Gales, outras igrejas, frequentemente famintas por sã doutrina e pregação que lidava com o mundo como estava no fundo da grande crise, o convidavam para seus púlpitos. Na medida que sua pregação se tornou conhecida, mais e mais exigências de fora começaram a ser feitas pela presença de Lloyd-Jones. Muitos outros pregadores começaram a tê-lo como modelo do que um ministro deveria ser. Ele pregou no Canadá e na América e era frequentemente chamado para falar perante diversas assembléias por toda Grã-Bretanha. 

Foi em uma noite de intenso nevoeiro em 28 de Novembro de 1935 que Lloyd-Jones pregou à uma assembléia em Albert Hall. Durante sua mensagem o “Doutor” explicou os problemas bíblicos que ele via em muitas das frequentemente formas de evangelismo usadas para o crescimento de Igrejas. Ele disse: 
“Podem muitos dos métodos evangelísticos introduzidos há quarenta ou cinquenta anos realmente ser justificados pela Palavra de Deus? Enquanto eu leio a obra dos grandes Evangelistas na Bíblia eu encontro que eles não estavam preocupados primeiramente com os resultados; eles estavam preocupados com a proclamação da palavra da verdade.  Eles deixavam o aumento com Ele. Eles estavam preocupados acima de tudo que as pessoas encarassem a própria verdade face a face.”

Um dos ouvintes naquela noite era o senhor de 72 anos Dr. Campbell Morgan, pastor da Capela de Westminster, em Londres. É reportado que o pastor ancião disse à Lloyd-Jones, “Ninguém senão você teria me trazido até aqui em uma noite como esta!” O evangélico com talvez a maior fama e respeito nacionais durante os anos trinta era G. Campbell Morgan, Ministro da Capela de Westminster. Ao ouvir Lloyd-Jones, ele imediatamente o quis como colega e sucessor em 1938. Mas isto não era tão fácil, pois havia também uma proposta para que ele fosse o Diretor apontado do Colégio Teológico em Bala; e o chamado de Gales e o treinamento de uma nova geração de ministros para aquele local era muito forte. No final o chamado para a Capela de Westminster prevaleceu e a família Lloyd-Jones com suas fillhas, Elizabeth e Ann, foram finalmente consagradas à Londres em Abril de 1939. Ele havia começado seu ministério lá, em uma base temporária em Setembro de 1938.

A associação de Morgan e Lloyd-Jones é um exemplo apropriado de como Cristãos pode trabalhar juntos até mesmo quando diferem em assuntos secundários. G. Campbell Morgan era um Arminiano e sua exposição Bíblica, embora famosa, não lidava com as grandes doutrinas da Reforma. Martyn Lloyd-Jones era da tradição de Spurgeon, Whitefiled, os Puritanos e os Reformadores. Ainda assim os dois homens respeitavam as posições e talentos do outro e sua breve parceria, até a morte de Campbell Morgan no final da guerra, foi pacífica e muito ajudou a avançar a obra de Cristo em Londres. 

Sob o ajuntamento das nuvens tempestuosas da Segunda Guerra Mundial, Martyn Lloyd-Jones assumiu o pastorado integral da Capela de Westminster por ocasião da aposentadoria pública de Morgan. Este seria um tempo de provação extrema para todos em Londres enquanto os cidadõas daquela metrópole suportaram meses infindáveis de ataques noturnos dos bombardeiros de Hitler. Em um ponto no começo da guerra houveram 57 noites sucessivas de bombardeamentos. Winston Churchill escreveu sobre aquele período, “Naquele ponto nós não enxergávamos nenhum fim senão a demolição de toda a Metrópole.” Como a Capela de Westminster era muito próxima do Palácio de Buckingham e outros importantes prédios governamentais ela estava em constante perigo de ser completamente destruída. A irmandade da Igreja estava em constante estado de crise emocional e financeira. 

Westminster também estava constantemente alcançando sua própria crise interna. Muitos daqueles da “velha-guarda” não se importavam muito com o jovem Calvinista que tinha dividido o púlpito com seu reverenciado Dr. Morgan. É um testamento do poder da Palavra de Deus e o espírito humilde do Dr. Lloyd-Jones que a Igreja não apenas sobreviveu mas eventualmente floresceu. Após a Guerra, a congregação cresceu rapidamente. De 1948 até 1968, a data de sua aposentadoria, a congregação teve uma média de talvez 1500 pessoas nos domingos de manhã e 2000 pessoas nas noites de domingo. 

No começo de 1953 um estudo Bíblico nas noites de sexta feira foi iniciado na Capela principal. Foi lá que Lloyd-Jones começou sua exposição monumental do livro de Romanos. Assim como a obre de Lutero sobre Gálatas e Romanos efetuou séculos de Puritanos, esta grande obra sobre Romanos tem influenciado a presente geração de Cristãos, incluindo este autor. Assim como ele começou ele continuaria, ministrando à sua congregação a Palavra de Deus ao invés de sua própria personalidade.

A despeito das dificuldades da guerra, Dr. Lloyd-Jones estava diretamente envolvido na fundação de três importantes instituições. A primeira delas possui a história mais interessante. Anos antes um Cristão chamado Geoffery Williams havia começado a colecionar raras edições de grandes obras Cristãs. Com o passar do tempo sua coleção de escritos Puritanos e outras obras cresceu para mais de 20,000 volumes guardados em sua casa e garagem. Geoffery não escondeu estes tesouros. Ele começou uma biblioteca onde emprestava as obras e ministrava para muitos que não haviam lido estes amplamente esquecidos livros. Após muita discussão, Martyn Lloyd-Jones encontrou seu caminho para a Livraria Evangélica e deu seu suporte. Assim uma nova geração de Cristãos foi exposta aos escritos de Bunyan, Baxter, Owen e outros. A segunda irmandade que Lloyd-Jones ajundou a fundar foi a The Westminster Fellowship. O Livro Os Puritanos publicado pela Banner of Truth Trust é uma compilação das palestras anuais de Lloyd-Jones àquela sociedade. 

Outro grupo com o qual o doutor estava envolvido era a Inter Varsity Fellowship. Martyn Lloyd-Jones se assegurou que a IVF não concedesse nada à ala liberal da igreja. A IVF cresceu em força, enquanto no curso do tempo a uma vez poderosa Student Christian Movement, com suas visões liberais, caiu no esquecimento. Cedo esta poderosa liderança produziu um grupo de jovens ministros e teólogos e um fórum regular para discussões. Esta era a conferência Puritana, que era realizada regularmente todo mês de Dezembro sob sua presidência. Nos seus primeiros dias alguns Anglicanos estavam entre  suas figuras principais, como o era Iain Murray. Havia um forte sentimento sobre a necessidade de se voltar aos fundamentos teológicos da tradição Protestante, ao período de cem anos antes da Reforma, onde suas implicações teológicas haviam sido trabalhadas. Obras eram lidas e discutidas e o Dr. Lloyd-Jones presidia as reuniões com habilidade e autoridade.

As conferências influenciaram grupos de jovens ministros todos os anos e estabeleceu uma fixa e firme posição teológica em face ao crescimento da ética situacional e o repúdio geral da autoridade pelo estabelecimento clérico dos anos 50 e 60. A casa de publicação ‘Banner for Truth’ e a The Evangelical Magazine foram ambas iniciadas com a ajuda e encorajamento de Martyn Lloyd-Jones, que também poderosamente prestou suporte ao trabalho da Evangelical Library. Em um nível pastoral, ele liderava uma fraternidade mensal de pastores desde o começo dos anos 40, onde pastores discutiam todos os problemas que enfrentavam tanto dentro das igrejas quanto em seu alcance. Aqui sua sempre crescente experiência, sua sabedoria profunda e seu bom senso pé no chão ajudaram muitos jovens pastores com problemas aparentemente únicos e insolúveis. 

Durante o verão de 1947 o doutor fez outra visita aos Estados Unidos e foi recebido com carinho. Por pedido de Carl F. H. Henry ele falou no Colégio Wheaton. Os cinco discursos foram publicados pelo nome de Truth Unchanged, Unchanging. (A Verdade Inalterada, Imutável - Tradução Livre). Neles Lloyd-Jones apresentou sua crença no tipo de pregação que o mundo realmente precisa. Um caráter forte e um líder forte não pode evitar controvérsias. Acreditando, como ele acreditava, no poder do Espírito Santo para convencer e converter, ele fazia oposição profunda à tradição que havia crescido desde Moody, a tradição de grandes reuniões com música suave e apelos emotivos para a conversão. Ele também se opunha à uniões arbitrárias entre denominações baseadas em pragmatismo ao invés de doutrina. Nada causaria mais problemas à Lloyd-Jones do que sua inabalável crença na necessidade da aderência à certas doutrinas fundamentais. 

Enquanto muitos se ajuntavam para ouvir o doutor, ao fim da guerra outros líderes Cristãos estavam começando a ignorá-lo. Quando uma publicação de 1946 listou os nomes de “Gigantes do Púlpito,” enquanto nomes como Weatherhead foram incluídos, o nome de Lloyd-Jones estava obviamente ausente. Quando Deus está trabalhando, Satanás está bramando ao redor como acusador dos irmãos. A idéia de que Lloyd-Jones promovia divisões o seguiu durante todo o resto de seu ministério. Ele disse em 1968, “Eu fui informado por um homem na América com quem eu havia pregado... que um evangelista de seu país o havia dito com pesar que eu era o instrumento do diabo na Grã-Bretanha no presente momento pois eu estava dividindo os evangélicos.” Mais será dito sobre este equívoco em breve. 

No começo dos anos 50, muito havia mudado no panorama espiritual da Inglaterra. Em 1952, Arthur W. Pink morreu em relativo anonimato em uma ilha da Escócia. Naquele tempo poucos teriam adivinhado que seus escritos seriam um dia publicados e lidos por Cristãos ao redor do mundo. Em 1959, Lloyd-Jones notou que havia um avivamento de interesse nas doutrinas da Graça e os ensinos dos Puritanos na igreja. Aqueles que encabeçavam este retorno não era sua própria geração, todavia. O interesse real estava entre jovens ministros e Cristãos. Esta nova geração de líderes viu as verdades imutáveis da Palavra de Deus de uma maneira que a geração anterior não havia enxergado. Alguns acusaram Lloyd-Jones de ignorância teológica na melhor das hipóteses e arrogância espiritual na pior delas. A verdade é que Martyn frequentemente censurava seus jovens estudantes por tornarem a discussão sobre Calvinismo e Arminianismo um ponto de controvérsias. De fato ele publicamente expressou sua crença de que A. W. Pink deveria ter tido um espírito mais reconciliatório e longânimo no esforço de trazer as pessoas de volta à verdade.

Foi em sua relação com a Igreja da Inglaterra que a controvérsia mais séria veio. Martyn Lloyd-Jones mantinha uma forte crença na unidade evangélica. Ele não acreditava que barreiras denominacionais devessem separar aqueles que têm uma fé em comum. E, na medida que o movimento ecumênico ganhava força e a ala liberal da igreja fazia maiores e maiores concessões às  mundanas opiniões atuais correntes, ele veio a acreditar que a resposta correta seria os evangélicos largarem as denominações às quais eram comprometidos e formar seus próprios grupos. Ele não tinha ilusões sobre o possível destino final dos novos grupos da igreja. Eles poderiam, ao seu tempo, se extraviar, se perder. Mas ele manteve que cada um de nós deveria fazer o melhor para sua própria geração, independemente do que poderia acontecer depois, e que o movimento ecumênico colocara aqueles que mantinham a longa linha de verdadeira teologia Cristã e prática em uma posição impossível. 

A crise veio em uma reunião presidida pelo Rev. John Stott, líder da ala evangélica da Igreja da Inglaterra. Martyn Lloyd-Jones fez um apelo imensamente poderoso à sua larga audiência para que saíssem de suas denominações. A reunião foi uma divisora de águas. Os Anglicanos evangélicos foram para um caminho e os evangélicos nas igrejas não-conformistas para o outro. Quando a União Congregacional se juntou à Igreja Presbiteriana Inglesa, a Capela de Westminster deixou a União Congregacional e se juntou à União de Igrejas Evangélicas Independentes. Muitos ministros evangélicos na União Batista e Igreja Metodista deixaram seus respectivos corpos denominacionais alguns com e alguns sem suas congregações. 

O Conselho Evangélico Britânico se ligou à FIEC e outras pequenas denominações evangélicas. Estas igrejas haviam se mantido sozinhas em face à corrente secularista, enquanto as igrejas tradicionalmente não-conformistas haviam entrado em declínio aberto. No lado Anglicano, alguns teólogos Evangélicos tomaram a frente na tentativa de encontrar uma acomodação entre as alas Evangélica, Anglo-Católica e Liberal, e, lamentavelmente, a Conferência Puritana para a qual eles haviam inicialmente contribuído , foi dissolvida. Em seu lugar, aqueles que compartilhavam da mesma visão do movimento ecumênico do Dr. Lloyd-Jones, formaram a Conferência Westminster, a qual ele continuou a presidir com vigor. Isto evitou que o problema se tornasse uma controvérsia continuamente resmungada entre a maioria oposta ao movimento ecumênico e a minoria que acreditava em permanecer nas denominações ecumenicamente ligadas. 

Não deve nunca ser deduzido deste fato que Lloyd-Jones fazia parte daqueles outros separatistas que pareciam apenas estar esperando pela próxima heresia que eles poderiam apontar em outra igreja em algum lugar. Anos antes ele havia pleiteado com o famoso T. T. Shields para que ele abandonasse seus ataques cáusticos às igrejas liberais. Ao mesmo tempo, Lloyd-Jones entendeu seus tempos exatamente como Spurgeon havia entendido os dele 75 anos antes. Ele enxergou os efeitos de manter relações próximas com líderes de igreja crescentemente liberais. Esta colisão teve seu resultado definitivo no famoso encontro do doutro com Billy Graham. Graham tinha vindo à Inglaterra virtualmente desconhecido, e a deixou onze semanas mais tarde havendo registrado 37,600 conversões públicas. Embora amigável à Graham e até mesmo permitindo que a Capela de Westminster fosse usada como local de planejamento, o Dr. Lloyd-Jones não emprestaria seu nome à cruzada. Em 1963 ele e Graham tiveram uma reunião muito cordial e a terminaram como irmão Cristãos. Graham não conseguiu o endosso de Lloyd-Jones e este manteve sua posição de que ninguém deveria embraçar liberais religiosos por números ou resultados. 

Uma das maiores paixões de Martyn Lloyd-Jones era o retorno à combinação dos Metodistas Calvinistas Galeses da doutrina dos Calvinistas com o estusiasmo dos Metodistas. Afim de alcançar este fim ele começou em 1959 uma série sobre avivamento que iria compreender 26 sermões. Ele havia se tornado ansioso para evitar que a ênfase recentemente recuperada sobre a sã doutrina reformada se degenerasse em dureza e frieza doutrinárias. Para contra-atacar este perigo ele começou a enfatizar em seu ensino a importância da experiência. Ele falou muito da necessidade do conhecimento experimental do Espírito Santo, da confiança plena pelo Espírito, e da verdade que Deus lida imediata e diretamente com Seus filhos - frequentemente ilustrando essas verdades através da história da igreja. Contrário à muito do ensino que iria surgir durante o Renovo Carismático dos anos 60 Lloyd-Jones apresentou várias características do verdadeiro avivamento. Primeiro ele proclamou que Deus é soberano e portanto não existem fórmulas para o reavivamento. Deus se move de maneira diferente em tempos diferentes. Segundo, ele insistiu que a igreja precisa de reavivamento, não para que mais pessoas venham à Igreja mas antes para que Deus retorne ao Seu lugar de direito nas vidas e pensamentos das pessoas. 

Enquanto Martyn Lloyd-Jones tenha se envolvido em muitos círculos durante estes anos, a Capela de Westminster continuou sendo seu primeiro grande amor. Como no assunto da unidade da igreja, sua visão sobre o que é agora conhecido como psicologia Cristã se mostrou perspicaz e profética. O doutor não estava de maneira alguma impressionado com o casamento da pregação Bíblia com psicologia secular. Em 1977 ele falou sobre a diferença do método Paulino de ajudar Cristãos daquele que tinha se tornado cada vez mais popular pelo nome de aconselhamento. Sua convicção era de que muito do que era diagnosticado como psicológico era na realidade espiritual. Lloyd-Jones enxergava o púlpito como o foco do verdadeiro aconselhamento Cristão. Isto não significava que ele não estava interessado em sua congregação e em seus problemas. Nada poderia estar mais longe da verdade. Muitas horam eram gastas em aconselhamento pessoal e direcionamento Bíblico. Uma coleção de sermões neste tópico pode ser encontrada em Spiritual Depression: It’s Causes and Cures, (Depressão Espiritual, lançado no Brasil pela editora PES), primeiramente publicado em 1965. Depressão Espiritual aponta para a suficiência de Cristo na vida do Cristão e conclui com estas palavras: 

“Eu dou meu máximo, mas Ele controla o suprimento e poder, Ele o infunde. Ele é o doutor Divino e Ele conhece cada variação na minha condição. Ele enxerga meu temperamento. Ele sente meu pulso. Ele sabe... tudo. ‘É isto,’ diz Paulo ‘e portanto eu sou capaz de todas as coisas através Daquele que está constantemente infundindo força em mim.’ ...Ele nos conhece melhor do que nós mesmos, e Ele irá nos suprir de acordo com nossas necessidades.” 

No início da década de 60 o Dr. começou uma série de mensagens no Evangelho de João. Sua intenção nestas mensagens não era uma exposição verso-por-verso como era seu hábito normal mas antes uma busca pelo sentido essencial da certeza e enchimento do Espírito Santo. Os sermões que cobriram João 17 podem ser encontrados nos quatro volumes publicados pela Crossway Books; Saved in Eternity, Safe in the World, Sanctified Throuth the Truth, e Growing in the Spirit. (Todos publicados pela editora PES reunidos sob o série de Certeza Espiritual com os títulos de, respectivamente, Salvos na Eternidade, Seguros Mesmo no Mundo, Santificados Pela Verdade e Crescendo no Espírito). Curiosamente, foi nesta época que o assim chamado Movimento Carismático estava acontecendo nos Estados Unidos. A princípio, Lloyd-Jones mostrou interesse no movimento mas rapidamente viu que sua ênfase no falar em línguas e manifestações físicas não era Biblicamente fundada. O Sul-Africano David de Plessis havia se tornado o líder reconhecido do movimento carismático. Em uma carta escrita em 1968, Dr. Lloyd-Jones escreveu: “Eu senti que um elemento psicológico parecia ter vindo nesta conexão em várias pessoas... Eu quero dizer por isto que muitos que haviam tido o batismo com o Espírito e haviam se regozijado por vários meses apenas começaram a falar em línguas quando o pastor Pentecostal, David de Plessis veio à este país. Então repentinamente todos eles começaram a falar em línguas. Eu não consigo reconciliar isto com o Senhorio do Espírito neste assunto.”

Em 1968, já com 68 anos, o Dr. Lloyd-Jones passou por uma grande operação e, embora tenha se recuperado completamente, decidiu que o tempo havia chegado - após 30 anos em Westminster - de se aposentar como ministro. Seu ministério havia sido, sob qualquer tipo de avaliação, grandemente abençoado por Deus. Houve uma corrente estável de  conversões, muitas notáveis e, acima de tudo, uma variedade enorme de pessoas de todos os tipos de vida haviam sido ensinadas sobre a largura e profundidade da doutrina Cristã. 

Na Capela se encontravam soldados do Quartel Wellington, trabalhadores dos hotéis e restaurantes de west-end, enfermeiras de grandes hospitais, o ‘Antioch Club’ de atores e atrizes de teatros também de west-end, funcionários civis juniores e sêniors de Whitehall, e desempregados crônicos vindos do hostel do Exército da Salvação. Seu último sermão em 8 de Junho de 1980 foi pregado na igreja de um ministro que havia ido à Capela como um recente-convertido operário de construções, tão áspero e forte quanto um jovem Cockney* poderia ser. Dr. Oliver Barclay, o sucessor de Douglas Johnson e Secretário Geral da IVF (agora UCCF), costumava frequentar a Capela bem como seu sucessor Dr. Robin Wells.

A igreja estava sempre cheia de estudantes, especialmente estudantes além-mar, entre os quais estava o agora Presidente Moi do Quênia. A Igreja Chinesa costumava frequentar a Capela de manhã e muitos irmãos de Plymouth durante a noite. E, obviamente, haviam muitos trabalhadores profissionais como professores, advogados, contabilistas e talvez mais do que seu quinhão de pessoas com alguma deficiência mental. Jovens e velhos, ricos e pobres, homens e mulhreres, inteligentes e ignorantes, todos pareciam vir em igual medida para ouvir a mensagem Cristã ser apresentada com uma autoridade e poder não frequentemente igualadas. 

Todos os tipos e condições de pessoas vinham para vê-lo no seu escritório após o culto, onde ele passaria horas pacientemente escutando e aconselhando-as sabiamente. Uma delas escreveu: ‘Eu tenho uma adorável memória de ter ido até ele em profunda necessidade pessoal, mas ainda assim com muito medo de sua formidável conduta pública. Sua ternura e cativante bondade, juntamente com tal simples e direto conselho, ganharam meu coração. Seu cérebro e intelectualidade conquistaram respeito e admiração; aquele outro lado mais gentil, mostrado a mim em particular, causaram amor por ele.’

Nos doze anos após sua aposentadoria ele manteve tanto as Conferências de Westminster e da Irmandade e gastou boa parte de seu tempo no aconselhamento de outros ministros, respondendo cartas e falando interminavelmente no telefone. Livre da rotina rígida dos domingos em Westminster ele foi então capaz de contribuir mais com os compromissos exteriores que havia tomado como ministro, especialmente os finais de semana em pequenas e remotas causas, as quais ele adorava encorajar. 

Ele acreditava que, em uma época secular, as pessoas respondem à verdade imutável, - uma visão que foi confirmada enquanto ele via as igrejas liberais se esvaziando e as evangélicas mantendo sua causa. Ele viajou para Europa e para os Estados Unidos novamente, mas recusou novas idas e retornos à outros países.

Embora sermões sejam notoriamente impublicáveis em nossos dias, todos os volumes de suas séreis venderam por todo o mundo de língua Inglesa, mostrando que há uma demanda real pela exposição Bíblica racional, analítica e aplicada. Ele recebera muitas cartas de todos os cantos da terra. Um dia, por exemplo, ele recebeu a visita do Rev. Chuck Smith da Calvary Church, de Costa Mesa, Califórnia, que lhe disse que seus sermões haviam transformado sua pregação. Ele certa vez quase sofrera um colapso mental ao tentar usar sua personalidade para adicionar à mensagem. Desde então ele deixara a Bíblia falar por si mesma e disse que tanto sua ministração quanto sua própria saúde haviam sido enormemente beneficiadas. O que ele não disse é que sua congregação aos domingos de manhã chegava naquela época aos 24,000!

Em 1979 a enfermidade retornou e ele foi obrigado a cancelar todos os seus compromissos. Ele estava tranquilo quanto ao prospecto de não pregar novamente. Ele havia visto muitos homens continuarem quando já deveriam ter parado. Na primavera de 1980 ele foi capaz de começar novamente, mas uma visita ao Hospital Charing Cross em maio revelou que sua enfermidade exigia um tratamento mais rigoroso que o impediu de pregar. Entre esgotantes sessões no hospital, as quais foram enfrentadas com coragem e dignidade, ele continuou a trabalhar em seus manuscritos e a aconselhar seus ministros, mas na época do Natal ele já estava muito fraco para isto. Até o final, todavia, ele foi capaz de passar tempo com seu biógrafo (seu antigo assistente, Iain Murray).

Ao final de fevereiro de 1981, com grande paz e esperança confirmada, ele acreditou que seu trabalho nesta terra estava feito. À sua família imediata ele disse: “Não orem por uma cura, não tentem me segurar da glória.” Em 1 de Maio, o Dia de St. David e Dia do Senhor - ele passou para a glória da qual ele havia tão constantemente pregado afim de encontrar o Salvador que ele havia tão fielmente pregado.

O tempo irá dizer quem estava certo nas divisões que houveram entre homens tais como Martyn Lloyd-Jones e J. I. Packer. Packer acreditava que seu lugar era permanecer na Igreja da Inglaterra e mudá-la como o fez John R. W. Stott. Lloyd-Jones acreditava que os resultados inevitáveis seriam um enfraquecimento da igreja e sua doutrina. Eu concordo com Iain Murray que talvez as palavras de Michael Saward descrevam melhor o legado da união com o liberalismo:

“Uma geração criada com guitarras, refrões, e discussões de grupos domiciliares. Educados... não a usar as palavras com precisão pois a imagem é dominante, não a Palavra. Equipados não para manusear a doutrina mas antes a ‘compartilhar.’ Uma geração compassiva e cuidadosa que é suspeita de definições e classificações, desconfortável, e às vezes incapaz de lidar com a exposição da teologia. Excelentes quando o assunto é prover música, teatro e arte religiosos. Não tão bons quando solicitados à pregar e ensinar a Fé... Se esta situação não veio como um resultado daquelas mesmas coisas sobre as quais Martyn Lloyd-Jones nos avisou uma explicação diferente ainda precisa ser registrada.” 

Qual era o gênio de Martyn Lloyd-Jones? Parece que Deus lhe concedera o mesmo espírito visto em George Whitefield ou ainda em Jonathan Edwards. De fato Lloyd-Jones certa vez disse que ele acreditava que Edwards havia sido um Metodista Calvinista Galês no coração. Como Tony Sargeant tão habilmente nota em The Sacred Anointing, a pregação do doutor combinava aquela incomum mistura de sã doutrina reformada e paixão genuína. Que a igreja de nossos dias possa reinvidicar esta herança de maneira que possamos proclamar as majestosas doutrinas da regeneração e justificação como Paulo o fez e ao mesmo tempo estarmos dispostos à entregar nossas vidas para que nossos compatriotas possam conhecer Cristo!